quinta-feira, 5 de julho de 2007

Pooooobre!

Ultimamente ando exigente. Pobre, mas exigente.

Me recuso, por exemplo, a entrar em ônibus cheio. Recusa séria. Saiu cansada do trabalho, tenho sempre mil coisas pra carregar e ainda tenho que me equilibrar nos “malacabados” da vida? Tô fora.

Fico quase uma hora esperando um motorista louco, que tenha passado direto de mil paradas para que, finalmente, eu o considere digno da minha companhia. Claro que isso só é possível quando não tenho hora pra chegar em casa.

Para complicar, a fama do meu itinerário não é a melhor. Já viu ônibus cheio no meio da tarde? É o meu. O primeiro sai do final (do mundo) às 4 da manhã já com 45% da população de São Paulo apinhada lá dentro.

Em uma noite de milagre eu estava sentada no fundo do ônibus quando vi uma menina parada na catraca. Era a primeira semana da medida que determinou que os passageiros com bilhete único tinham um minuto pra transpor a barreira da dignidade.

A menina estava muito preocupada com a quantidade bancos desocupados e parecia desesperada com a idéia de ter pegado o ônibus errado. Equilibrava duas sacolas plásticas, uma pasta, uma bolsa e uma mochila enquanto comia uma barrinha de cereal. Depois que encostou o bilhete se lembrou da nova lei.

Foi aquele “se vira nos trinta”. Tentava passar com tudo, voltava. Manobrava cada coisa, sem sucesso. Acho que conheci uns dez palavrões novos.

Ela desceu, xingou o cobrador, o motorista, o Kassab, os passageiros e disse que ia pegar um ônibus mais cheio para que alguém a segurasse! Na platéia, eu ri tanto que para disfarçar fingi ler alguma coisa!

Fui castigada logo na manhã seguinte. Atrasada, cheguei correndo no ponto. Para minha surpresa o segundo ônibus da fila me servia e estava lindamente vazio. Dei sinal e entrei, no primeiro: outra cor, outro caminho e cheio!

Aliás, naquela semana perdi as contas de quantos caminhos errados fiz e quantos quilômetros andei para consertar as burradas do itinerário.

Cansei de ser pobre nessa vida e resolvi tirar carta. Rs! Mas ai é outra história...

Amelie!

Um comentário:

Kiko disse...

Prezada Amelie

Parece mesmo que pra tudo na vida vai aparecer obstáculos, uns singelos, como esperar o busão mais vazio, outros mais complicados, como passar pela catraca comendo barrinha de cereal carregada de sacola, rs.
Um amigo meu contou um desafio hilário (pra mim que não vivi, pelo menos) nessas de busão, mas era metrô: o trem vazio, me abre a porta e entra um sujeito. Ele vem e senta justamente ao lado dele. Normal, cada um que sabe onde senta, mas, poxa, com o trem todo vazio vc sentaria ao lado de uma pessoa ????? Aí meu amigo o questionou "por que sentou aqui ao meu lado ? Olha quantas cadeiras vazias" O rapaz, respondeu em tom de "jóoorge com G" "Ué, por quê? Não pode ?" HAHAHAHAH Já imaginou ?
Realmente acontece cada uma né ?!
Em busão, sempre gostei da janela em cima da roda, pô, respirar é bom, Fico maluco com janela fechada, pode estar muo toró, nem ligo. Antes molhar a cara que pegar meningite, rsrssr.
E também fico louco quando a pessoa tá de pé, e em vez de ficar entre os bancos, prefere ficar em pé na sua frentona lá, nossa ...

Amelie, nossa cidade é recheadíssima de motivos pra histórias !! Tô gostando do material de vcs, hehe
beijos !!!