Ontem estava eu em um shopping de classe média alta da zona sul, a trabalho, e como era hora do almoço lá fui eu caçar um lugar pouco tumultuado pra fazer a refeição sagrada (amo os cafés-da-manhã, gosto de almoçar bem e troco o jantar por besteiras).Não conheço muito bem o shopping e resolvi ir à opção mais próxima da minha localização naquele exato momento. Fui de Mc Donalds mesmo.Aí peguei meu lanchinho e fui sentar. Nem percebi que a mesma escolhida pelo lado direito do meu cerébro era bem perto da parte de recreação. Ok, acho que a fome era tanta que nem me abalei.
Olhei ao redor do brinquedão gigante para o pouco espaço entre as mesas, o corredor e a paciência alheia e vi poucas crianças. Um japonês com a babá esperando a mãe chegar com a bandeja cheia, uma mae e uma senhora sentadas papeando enquanto o filho loirinho quase derrubava as estruturas ao redor e o irmao (parecia) deste era guiado por uma mulher que até agora não sei se era babá ou integrante da familia. Uma terceira chegou depois e foi presenteada com um pacote da Zara, compraram uma blusa M para uma pessoa que veste G, mas eu já tinha percebido que ali ninguém tinha muita noção mesmo. Na mesa à minha frente uma mulher e o casal de filhos, estes sim, bem quietos até certo momento.
Mas, o que me chamou atenção era uma família bonita que estava um pouco mais atras. A mãe loira, jovem, bonita e com cara de: meu marido é lindo, jovem e rico, com duas filhas loirinhas de cabelos lisos e cara de: vou ser linda quando crescer e um menino no carrinho com cara de: vou ser lindo também. A familia comia seus lanches tranquilamente, mas você como crinaça é né? Não pode ver um pegando fogo que quer incendiar também. Não demorou muito a loira menorzinha levantou e foi brincar naquela estrutura estranha, depois foi a vez da outra maiorzinha (o menino também foi e eu nem vi!). A mãe foi junto pra olhar as crias de perto e largou tudo na mesa. Depois ela voltou e pegou o lanche pra terminar de comer em pé perto dos filhos, depois ela foi buscar o lanche das filhas, depois ela foi pegar o celular. Ela andava do brinquedo até a mesa e da mesa até o brinquedo várias vezes. Estava bem vestida, era alta, magra, cabelos e pele bem cuidada e não perdeu a paciência um minuto. Abaixava para calçar o tênis na filha, falava ao telefone discretamente, tudo na maior elegância e SEM babá. Fiquei impressionada. Eu já teria dado usn gritos, chamado o corpo de bombeiros, pedido ajuda aos universitários. Ela não. Uma perfeita mulher-polvo.
Qual a moral da história? Nem todo rico tem babá, nem toda mulher bonita não tem filhos, nem toda loira é oxigenada, as férias escolares são muito longas e a Dorothy* não está pronta para ser mãe.
Dorothy*
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